16 de Outubro - Dia Mundial da Anestesia

Medicina Paliativa

Medicina Paliativa

Por Dra. Teresa Neumann Sampaio Bezerra

Medicina Paliativa é uma das áreas de atuação do anestesiologista. Trata-se dos cuidados paliativos, que são por definição, os cuidados integrais prestados aos pacientes portadores de doenças crônicas e/ou ameaçadoras da vida, e não necessariamente em terminalidade. Tem a finalidade de promover conforto, bem estar, preservar a autonomia e portanto, possibilitar melhoria na qualidade de vida do paciente e consequentemente à sua família. Alguns fatores devem ser considerados na Medicina Paliativa:

  1. “Qualidade de vida” segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma percepção individual de como a pessoa se acha inserida no contexto social;
  2. Aliviar a dor física, principal sintoma de sofrimento referido;
  3. Um fato importante no conceito dos cuidados paliativos, é que é essencial tratar a dor com uma síndrome. A Síndrome da “DOR TOTAL”. Não adianta apenas tratar a dor física, visto que, DOR TOTAL abrange dor física, dor emocional, dor espiritual e dor da perda do engajamento social. Sendo assim, Medicina Paliativa é uma especialidade multidisciplinar.
  4. É necessário o conhecimento sobre leis, princípios da bioética, comunicação, para juntamente com colegas da equipe multidisciplinar estabelecer um plano de múltiplos cuidados e com sensatez oferecer: cuidados paliativos exclusivos, tratamentos limitados ou invasivos e todas as tomadas de decisões.

O Movimento Paliativista surgiu em Londres, na Inglaterra, no ano de 1960, se intensificou em muitos países na década de 80 e no Brasil nos anos 2000. Os profissionais que se dedicam a esta atuação, necessitam de aprendizagem sobre a finitude e aceitação que, se não há um meio de fugir da morte, devem procurar uma solução para promover uma morte digna aos pacientes. Cuidados Paliativos são um desafio no enfrentamento das doenças sem possibilidade de cura e também presta assistência e suporte familiar ao luto.

Os anestesiologistas que inicialmente tratavam dor crônica oncológica, começaram a se aprofundar na “arte do cuidar” passando a oferecer os cuidados integrais ao paciente, visto que tratar somente a dor física não era suficiente. A partir desta percepção, adentraram ao estudo da especialidade “Cuidados Paliativos”.

Há alguns anos a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), sensível a este movimento mundial e junto à Associação Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), decidiram incentivar os anestesiologistas com mais esta área de atuação, visto que este profissional é reconhecido por seu conhecimento e desempenho técnico e científico relativo ao tratamento da dor física, seja usando métodos invasivos ou não, medicações, técnicas de bloqueios analgésicos diversos, manejo de sedação, intubação e extubação. Além disso, tratando complicações como alergias, delírio, distúrbios cognitivos e outros oriundos de tratamentos escolhidos e/ou doenças.

Diante do envelhecimento populacional e de inúmeras doenças crônicas, avançadas ou não, ressaltamos o tão conhecido aforismo: “Curar algumas vezes, aliviar frequentemente, consolar sempre”.

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